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Liga dos Campeões | Evair é tão ídolo em sensação da Champions como no Palmeiras

Liga dos Campeões | Evair é tão ídolo em sensação da Champions como no Palmeiras
Classificação e JogosLiga dos Campeões "O relacionamento do atalantino comigo é maior do que o que eu tenho com o palmeirense". A frase é de Evair, ídolo indiscutível tanto do Palmeiras como da Atalanta, time italiano que, apesar de nunca ter conquistado um Campeonato Italiano em seus 112 anos de história, vem sendo uma das…
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“O relacionamento do atalantino comigo é maior do que o que eu tenho com o palmeirense”. A frase é de Evair, ídolo indiscutível tanto do Palmeiras como da Atalanta, time italiano que, apesar de nunca ter conquistado um Campeonato Italiano em seus 112 anos de história, vem sendo uma das sensações do futebol europeu e da Liga dos Campeões — na terça-feira (10), avançou às quartas de final depois de voltar a vencer o Valencia, desta vez na Espanha, por 4 a 3.

Apesar de ter ajudado a equipe a disputar a Copa Uefa (atual Liga Europa) pela primeira vez depois de um inédito sexto lugar no Italiano de 88/89, Evair não conquistou títulos pela Atalanta. Já pelo Palmeiras, viveu uma época mágica com o time da Parmalat e foi peça-chave no título paulista de 1993 que acabou com uma longa fila do clube alviverde, de 16 anos. E, claro, não foi só isso. Ainda conquistou outro Paulista, em 1994, dois Brasileiros (93 e 94), um Rio-São Paulo (93), e, apesar de reserva, foi importantíssimo ao converter o pênalti no tempo normal da grande decisão da Copa Libertadores de 1999, contra o Deportivo Cali, no Parque Antárctica.

Diante de tudo isso, por que, então, Evair coloca a relação com os atalantino ainda maior do que a com os torcedores palmeirenses? O próprio atacante responde, em entrevista exclusiva ao UOL Esporte:

“A Atalanta não ganhou nenhum campeonato, não chegou a nenhuma final… Chegamos a disputar a Copa Uefa, pois chegamos em sexto lugar no Italiano. Jogávamos contra o Milan, que tinha um timaço e era o campeão do mundo na época, contra a Inter, que tinha os alemães, e conseguíamos vencer. Então, era uma fase que o atalantino ficou maravilhado”.

A reportagem insistiu: “Mesmo aquele dia 12 de junho de 1993, quando o Palmeiras saiu da fila sem títulos e você foi o cara? Mesmo com toda a sua história com o Palmeiras, a [relação] com o atalantino é maior?”. O atacante não cedeu: “Se você falar especificamente desta data, não, mas se pegar um geral por aquilo que eu fiz lá e por aquilo que eu fiz aqui, a proporção de lá é uma coisa incrível, não dá para mensurar, só vendo mesmo”, opina o atacante, hoje com 55 anos.

Maior ídolo brasileiro por lá

Nenhum outro brasileiro foi mais ídolo da torcida da Atalanta que Evair. Depois de começar a carreira no Guarani, o atacante defendeu o time italiano por quase três anos, entre 1988 e 1991. Foram 89 jogos oficiais e 30 gols marcados, alguns deles marcantes tanto para o jogador como para o clube, que nesta época chegou a enfrentar os grandes de igual para igual.

“Na época, todos os grandes jogadores jogavam na Itália, como hoje estão na Espanha, França… Tiveram vários jogos, por exemplo, contra a Juventus: a Atalanta não ganhava há 18 anos na casa da Juventus, e a Juventus estava se despedindo daquele antigo estádio, e eu fiz o gol… Do Milan a gente não ganhava há muito tempo e também fiz um gol… A Inter, todas as vezes que jogava contra marcava, contra o Zenga [Walter Zenga, ex-goleiro da seleção italiana]… Então, foram momentos que tivemos oportunidade de jogar contra esses caras e realmente era uma situação bastante diferente do que a gente está acostumado aqui”, recorda.

Naquele período, eram permitidos até três estrangeiros por equipe. Jogar por um clube grande, então, não era uma missão fácil, ainda mais para um menino que havia saído do Guarani e ainda não tinha tanta história no Brasil: “Era muito mais difícil jogar em time grande. O Milan, por exemplo, tinha Rijkaard, Baresi, Costacurta, Gullit, os melhores do mundo estavam ali. Então, para você chegar e tirar o lugar de um estrangeiro… Era muito mais difícil”.

Mas e depois de toda história que construiu pelo Brasil, incluindo grandes passagens, especialmente, por Palmeiras e Vasco da Gama… Será que Evair teria um lugarzinho em algum grande da Europa como Liverpool, Juventus, Barcelona, Real Madrid e Manchester United?

“Se você pegar um cara hoje e ele fizer 15 gols, 20 gols aqui no Brasil, ele vai jogar num time razoável lá na Europa, no geral. Agora, se ele fizer 53 gols num ano, ele vai jogar aonde? Ele vai jogar num time maior… Eu fiz 53 gols pelo Palmeiras em 94, então acredito que sim, jogaria nesses times que você citou”, analisa.

Saída da Atalanta gerou arrependimento?

Evair desembarcou na Atalanta em 1988, com dois anos de contrato. Depois, renovou por mais dois, mas deixou a equipe antes do término do vínculo, por opção, para se transferir para o Palmeiras. Ficou algum arrependimento por não ter completado a passagem?

“No final do terceiro [ano de contrato] eu pedi para voltar ao Brasil, porque achava que já estava bom, que era o meu limite e que o momento de voltar era aquele ali”, diz. “Valeu a pena porque peguei o time do Palmeiras numa fila de 16 anos e, com a minha experiência, ajudei a conquistar o Campeonato Paulista. Então, não tem como dizer que me arrependi em voltar ao Brasil.”

Ainda atalantino? “Acompanho sempre”

Evair diz sempre acompanhar o ex-time, ainda mais agora que ele voltou a ficar em evidência no futebol europeu. Fora isso, tem outro motivo para estar sempre de olho na equipe de Bérgamo.

“Acompanho sempre, até mesmo porque me ligam direto e tenho que ter alguma coisa para falar. O treinador Gian Piero já está lá há muitos e muitos anos e é um estilo de jogo que ele implantou que faz uma diferença muito grande”, diz o atacante que, apesar de não ter mais tanta ligação com a Atalanta, ainda é lembrado para datas marcantes do clube.

“O contato que tive com mais próximo com eles foi no Centenário da Atalanta [outubro de 2007], estive presente em Bérgamo. E alguns anos depois que eu saí de Bérgamo, a Atalanta tinha caído da primeira divisão e, quando subiu, eles queriam que eu estivesse lá presente na festa deles. Foi uma situação diferente. E do Centenário tem até uns vídeos no Youtube, foi uma festa incrível, e eu tive o prazer de estar presente nessa festa, foi bacana”, lembra.

Evair ainda guarda com carinho a marcante passagem pela Atalanta. Segundo ele, a experiência, inclusive, foi determinante para que, depois, a relação com os palmeirenses fosse tão especial.

“Acho que ter passado lá foi uma grande experiência para chegar em São Paulo [Palmeiras na metade de 1991] e entender o que significa um time para uma torcida, que é algo impressionante. Então, essa é uma situação que fez com que a gente percebesse o quanto o palmeirense é apaixonado, foi uma experiência muito bacana neste sentido”, acrescenta.

Algum ‘Evair’ no atual Atalanta?

Na quarta colocação da Série A e com reais condições de, novamente, conquistar uma vaga na próxima Champions League, a Atalanta de Gian Piero Gasparini — que está no comando do time desde 2016 — vem não só conseguindo avançar na Liga dos Campeões, mas também encantando os torcedores que gostam de um futebol bem jogado e, claro, com muitos gols.

No atual Calcio, ninguém foi mais às redes que a Atalanta; são 70 em 25 jogos, contra 50, por exemplo, da líder Juventus, que ainda soma uma partida a mais (26). Já na Champions League, o time italiano passou pelas oitavas de final marcando oito gols nos dois jogos contra o Valencia: 4 a 1 no San Siro e 4 a 3 no Mestalla.

Mas será que dá para dizer que o Atalanta hoje tem o seu ‘Evair’? O próprio atacante afirma que sim: “O colombiano Zapata, lembra. O esquema de jogo o beneficia muito, ele tem uma capacidade muito boa, veloz, um cara fazedor de gols, finalizador… O ataque é muito bom com Gómez, Ilicic, Zapata”.

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