PALMEIRAS

Caso SEF não acabou. Justiça vai atrás de mais sete suspeitos

Caso SEF não acabou. Justiça vai atrás de mais sete suspeitos
Assim que o julgamento da morte de Ihor Homeniuk chegou ao fim, ficou claro que a morte do imigrante ucraniano podia ter sido evitada se algumas das pessoas - seguranças e responsáveis do SEF - que estiveram no aeroporto na noite de 11 de março de 2020 tivessem simplesmente ajudado. Tanto o juiz como a…

Assim que o julgamento da morte de Ihor Homeniuk chegou ao fim, ficou claro que a morte do imigrante ucraniano podia ter sido evitada se algumas das pessoas – seguranças e responsáveis do SEF – que estiveram no aeroporto na noite de 11 de março de 2020 tivessem simplesmente ajudado.

Tanto o juiz como a procuradora do processo concluíram que o depoimento das testemunhas era suficiente para implicar mais suspeitos no caso e agora a magistrada Leonor Machado mandou uma certidão para o DIAP para acusar mais sete arguidos. A notícia foi avançada inicialmente pela TVI 24, esta segunda-feira à noite.

Os seguranças Paulo Marcelo e Manel Correia, que admitiram ter atado Ihor Homeniuk com fita-cola “para o acalmar”, são suspeitos de ofensas corporais “graves” e “omissão de auxílio”. Durante o julgamento, fizeram várias declarações contraditórias e, apesar de terem descrito os “gritos” da vítima e terem garantido que viram os três inspetores do SEF que foram condenados no julgamento a agredir o imigrante ucraniano, as suas declarações foram desvalorizadas pelo coletivo de juízes.

O MP quer também que António Sérgio Henriques, ex-diretor de fronteiras do SEF e o responsável que decidiu mandar inspetores à sala médicos do mundo depois de ter recebido queixas sobre o comportamento do passageiro Ihor, seja acusado de omissão de auxílio porque, tal como admitiu em tribunal, “não” se preocupou “mais com o assunto”. O facto de a sala onde Ihor foi espancado ser longe do seu gabinete foi o pretexto utilizado pelo responsável do SEF que seria demitido.

João Agostinho, coordenador do SEF, costumava tomar o pequeno-almoço na zona onde foi cometido o crime e “por curiosidade” espreitou “duas vezes” para a sala onde Ihor morreu – antes e depois da intervenção dos três inspetores condenados. “Alheou-se dos eventos, nada comunicou, nada comentou, apesar de se estar a desenrolar um drama”, criticou o juiz. A procuradora também o quer acusar de omissão de auxílio.

E ainda há mais um responsável do SEF que pode ser acusado de omissão de auxílio: o inspetor chefe João Diogo, que ordenou aos inspetores Duarte Laja, Luís Silve e Bruno Sousa que fossem à sala para “acalmar” Ihor e que, tal como também admitiu em tribunal, apesar de saber que o imigrante tinha sido algemado, não se preocupou em saber se tinha sido desalgemado ou qual era o seu estado de saúde.

Outros dois seguranças, Jorge Pimenta e Rui Rebelo, também devem ser acusados de omissão de auxílio. Ambos sabiam que Ihor tinha sido algemado e nada mais fizeram.

Segundo o acórdão que levou à condenação dos três inspetores a penas de nove e sete anos de prisão por ofensas corporais graves agravadas pelo resultado (morte), Ihor agonizou durante oito horas depois de ter sido espancado. “Este caso revelou o pior da condição humana”, concluiu durante o julgamento a procuradora Leonor Machado. “Não intervieram porque não se quiseram responsabilizar.”

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